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23 de Junho de 2021

Verbo haver para indicar evento passado e preposição "a" para indicar evento futuro.

Há uma confusão muito grande de muitas pessoas com relação à utilização do verbo “haver” e da preposição “a” para expressar tempo passado, ou tempo futuro.

Escrito Direito, Advogado
Publicado por Escrito Direito
ano passado

Essa confusão ocorre, provavelmente, porque na linguagem falada, a e “há” são pronunciados da mesma forma, faltando um referencial importante para a memorização da regra, que é o falar e ouvir. Ninguém que ouça vai aprender falar estudando a regra, mas vai aprender ouvindo as outras pessoas falando e, com esse conhecimento prévio do idioma adquirido pela exposição à linguagem falada, vai começar a estudar a regra.

A diferença primordial é que no futuro, a preposição será sempre a mesma, a preposição a, mas no pretérito, o verbo haver será conjugado, sempre na terceira pessoa do singular (orações sem sujeito). Para entender um pouco mais sobre essa questão, basta verificar o artigo “verbo haver e orações sem sujeito” disponível aqui no site.

NO FUTURO

Quando nós nos referimos ao futuro, nós usamos a preposição a, por exemplo.

Eu vou à audiência daqui a 15min.
Eu voltarei ao Fórum apenas daqui a 3 dias.

Nesse caso, como se trata de preposição, nós podemos substituir a preposição a por outras preposições sem prejuízo do sentido da frase:

Eu vou à audiência em 15min.
Eu voltarei ao Fórum, apenas após/em 3 dias.

Quando a situação for mais complexa, nós utilizamos outras construções, por exemplo:

Quando o cliente chegar, eu vou sair depois de 30min.

Ou, melhor ainda.

Eu vou sair 30min depois que o cliente chegar.

Dessa forma, a preposição a sempre vai se referir a um tempo futuro, mas a partir do tempo presente e não a partir de outro evento futuro. Quando nós precisarmos falar sobre o futuro do futuro serão dois sujeitos, duas orações na mesma frase, sem sujeito inexistente, já no passado, nós teremos uma construção diferente, com três verbos na frase, dois sujeitos, mais um sujeito inexistente, isso porque nós temos uma conjugação verbal específica para o "passado do passado", ou pretérito mais-que-perfeito do indicativo, mas para o futuro nós não temos uma conjugação específica para isso.

Por isso, quando no passado, nós vamos utilizar o verbo haver também nessas situações mais complexas, conjugando o verbo haver sempre na terceira pessoa do singular e nos valendo do pretérito mais-que-perfeito.

NO PASSADO

Quando nos referimos ao passado, nós utilizamos o verbo haver conjugado na terceira pessoa do singular. Por exemplo:

Eu voltei do Fórum há 15min.

Como são dois verbos, há duas orações: “Eu voltei do Fórum” e “há 15min”, sendo que a primeira oração tem como sujeito o pronome “Eu” e a segunda oração não tem sujeito. Perguntando para o verbo: “quem/o que há 15min?” Esse verbo haver não tem como sujeito o pronome “Eu”, por isso, sujeito inexistente.

No exemplo mais complexo do futuro, se o trouxermos para o passado, ficaria assim:

Quando o cliente chegou, eu saíra do escritório havia 30min.

Eu utilizei a forma “saíra”, pretérito mais-que-perfeito, porque indica uma ação passada que ocorreu antes de outra ação passada. O chamado pretérito do pretérito. Dessa forma nós temos dois sujeitos (o cliente e "eu"), mais um sujeito inexistente vinculado ao verbo haver. Quando falamos do passado, a parte da oração que se refere ao tempo é verbo com sujeito inexistente (havia 30min), quando falamos do futuro, a parte que se refere ao tempo é complemento da oração ("depois de 30min", ou "30min depois", mais conectivo "que").

Mesmo que o sujeito da primeira oração for no plural, o verbo haver, como indicador de tempo, vai ficar sempre no singular, porque se refere a um sujeito inexistente. Escrevendo de uma forma mais coloquial, para facilitar o entendimento, mas quando nos referimos ao passado do passado, a um evento pretérito ocorrido antes de outro evento pretérito, o mais correto é utilizar o pretérito mais-que-perfeito.

Quando os clientes chegaram nós havíamos saído havia 15min.

Identificando o sujeito e verbo de cada oração:

Chegaram: os clientes;

Havíamos saído: nós;

Havia: sem sujeito.

Eu utilizei duas vezes o verbo haver de propósito apenas para pontuar a diferença do verbo haver, como indicativo de tempo pretérito (sem sujeito) e o verbo haver conjugado. Para isso, basta perguntar ao verbo quem fez aquela ação.

Mais alguns exemplos, escrito de uma forma mais coloquial, sem a utilização do pretérito mais-que-perfeito do indicativo.

Quando a audiência começou, eu já estava na sala havia 10min.
Quando as perguntas começaram, nós estávamos em audiência havia meia-hora.
Quando houve as ocorrências os policiais já estavam lá havia 5min.

Para entender um pouco mais sobre a conjugação do verbo haver e por que, às vezes ele acompanha o número do sujeito, às vezes não, acesse o artigo “verbo haver e orações sem sujeito”.

2 Comentários

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Muito obrigada pela aula, professor!
Vou salvar e ler o seu material com calma!
Estávamos precisando de tais informações por aqui.
Valeu! continuar lendo

Obrigado, mas não sou professor. Eu apenas estou passando alguns recursos que eu utilizo para memorizar regras gramaticais e algumas estratégias que eu utilizo para redação de peças processuais. Algo que acumulei em 10 anos de trabalho.

Os meus artigos são para serem lidos e serem anotadas as estratégias de forma mais resumida. Tipo "verbo haver para passado e preposição 'a' para futuro", "chegou havia - passado do passado" "substituir pela preposição 'em'." E por aí vai. continuar lendo